por Juliana Ricci Não adianta reclamar. Você precisa se acostumar com o fato de que os processos seletivos muitas vezes são longos, principalmente pelo número de entrevistas realizadas. A opinião dos selecionadores e consultores de RH é unânime: fazer várias entrevistas com o mesmo candidato é algo necessário e indispensável.

Sendo assim, melhor do que lutar contra, é entender os motivos que levam as empresas a agir assim. E preparar-se para cada etapa e tipo de entrevista. Laís Passarelli, headhunter e diretora da Passarelli Consultores explica que “o número de entrevistas tende a ser cada vez maior para minimizar o erro na hora da escolha. É uma oportunidade para os profissionais também conhecerem melhor as empresas e as pessoas com quem lidarão. Um executivo que fica pouco tempo na empresa pode até queimar a própria imagem. A escolha deve ser certeira”, diz. A consultora lembra de um caso em que foram necessárias 15 entrevistas, sendo 2 realizadas pela Passarelli e as outras 13 pela empresa contratante. “Foi um diretor de Marketing que passou por entrevistas no Brasil e nos EUA, na matriz da empresa”, conta Laís. Não se assuste porque esse é um caso atípico. Geralmente, o número de entrevistas é de 3 a 5. Se a empresa contrata uma consultoria de seleção para fazer a primeira triagem, certamente haverá entrevistas na consultoria e depois na própria empresa. De qualquer forma, as áreas de Recursos Humanos têm se empenhado para selecionar de maneira rápida e prática. Exemplo disso é a Procter & Gamble, multinacional fabricante de produtos de higiene e limpeza que conta com 1.200 funcionários no Brasil e contrata durante todo o ano. Segundo Rita Lopes, gerente de Treinamento e Seleção, o processo seletivo segue um padrão mundial e desde o início o candidato já conhece todas as etapas pelas quais passará. “Após preencher um formulário em nosso site, o candidato é chamado para um teste. Sendo aprovado, é chamado pelo RH ou pelo gerente da área contratante para uma entrevista. Se passar, será chamado para 2 ou 3 entrevistas que acontecem no mesmo dia, com pessoas diferentes”, conta ela. Rita diz que essa padronização e a transparência das informações ajudam o candidato a entender a necessidade de todas as etapas e também a controlar a ansiedade. A Procter & Gamble só faz recrutamento externo para cargos administrativos e de supervisão. Os gerentes e diretores são escolhidos internamente, a partir dos planos de carreira. “Por isso, nosso processo seletivo prioriza o potencial e o talento da pessoa. Hoje estamos recrutando o presidente de amanhã”, revela Rita. Conheça agora outros motivos que levam as empresas a chamá-lo para várias entrevistas e o que você pode fazer para provar que é o candidato ideal. Processo Consultoria - Empresa Se o processo seletivo estiver sob responsabilidade de uma consultoria, não tem jeito: você vai passar por várias entrevistas mesmo. Lara Rossetti Machado, Gerente de Negócios e Coordenadora de Recrutamento e Seleção da Across Gestão de Carreirasafirma que por mais que a consultoria goste do candidato, outras pessoas, principalmente da empresa-cliente, têm que gostar também. “Com várias pessoas no mesmo processo olhando para uma só pessoa, fica melhor pra avaliar. A consultoria tenta entender a cultura e o ambiente em que o candidato estará e a empresa avalia como a pessoa ficará entre os funcionários que já estão lá. É uma visão mais detalhada ainda. E o candidato também tem a oportunidade de escolher”, explica Lara. A dica da consultora é “explore a consultoria”. Ela garante que ficar em dúvida não ajuda em nada, por isso faça perguntas e mantenha-se calmo diante das novas etapas que surgirem. Consenso de opiniões Este é outro ponto cuja opinião dos profissionais ouvidos nesta matéria coincide: é preciso que o candidato converse com várias pessoas da empresa para que elas, juntas, decidam se ele é a melhor opção. É também por isso que você participa de várias entrevistas. “Fazer só uma entrevista é um risco, a decisão compartilhada tende a ser mais acertada”, diz Laís Passarelli. Por isso ela faz pelo menos 2 entrevistas antes de indicar o candidato ao cliente. Para Adriana Oliveira, gerente de RH do site Mercado Eletrônico é fundamental que o candidato seja aprovado por mais de uma pessoa. “Ele vai se relacionar com a empresa toda e precisa ser aceito por ela. Assim, não adianta decidir a partir da escolha de uma só área. O processo leva pelo menos 30 dias, não podemos desperdiçar esse tempo. Além disso, a empresa não é 1 pessoa só, ela é um sistema de gestão participativa, precisa haver consenso”, afirma. O melhor que você pode fazer nesse caso é tratar cada entrevistador com civilidade e consideração. Seja você mesmo, seja preparado, e se seu melhor esforço não for bastante para conquistar a oferta de trabalho, pense que você encontrará um empregador ao qual se ajuste melhor. Segundo da fila Outra razão para que um candidato seja chamado para várias entrevistas é o fato dele ser a segunda opção para a vaga e a primeira opção ainda não estar confirmada. Segundo os especialistas, isso não é muito comum, mas pode acontecer. Geralmente o candidato só é chamado de novo se realmente for o preferido – ou quando passa a ser - e estiver na mira da empresa, mas já aconteceu diferente com Adriana Oliveira, do site Mercado Eletrônico. “O candidato escolhido não tinha confirmado ainda e eu tinha pouco prazo. Chamei o segundo da fila”, lembra ela. Se você estiver em segundo na fila, você terá que provar que você é certamente o melhor dos candidatos restantes e se preparar não apenas para a primeira entrevista, mas também para cada rechamada. Informar sobre a empresa Para garantir a clareza das informações e deixar os concorrentes tranqüilos, os selecionadores costumam apresentar informações sobre as empresas durante o processo, além de permitir que os candidatos perguntem. Porém, dependendo do cargo, principalmente nos executivos, pode acontecer uma convocação para nova entrevista com o objetivo de apresentar mais detalhes. “No caso dos executivos, nós chamamos para apresentar a proposta de trabalho completa e as condições, os benefícios, etc...Para as outras posições não é necessário”, explica Carla Zeitune, superintendente de RH da Indiana Seguros. Disputa por uma outra vaga Outra razão para fazer múltiplas entrevistas é o fato de descobrir que o candidato serve para uma vaga diferente daquela para a qual foi chamado. Nesse caso, de acordo com os selecionadores, o candidato deve ser comunicado rapidamente, afinal os critérios e o número de etapas passam a ser outros. Nível da vaga O número de entrevistas varia também de acordo com o nível da vaga. Adriana Oliveira, do Mercado Eletrônico, conta que geralmente ao selecionar coordenadores e gerentes a quantidade realmente aumenta se comparada às entrevistas de estagiários. “Tive um caso de um gerente que quis que toda a equipe entrevistasse o candidato. Foram muitas entrevistas”, lembra. Carla Zeitune, superintendente de Recursos Humanos, conta que na Indiana Seguros, empresa aonde trabalha, a seleção de cargos estratégicos também envolve entrevistas com os pares (colegas que estão no mesmo nível) do futuro contratado. Agora que você já sabe que as organizações e as consultorias têm vários motivos para fazer diversas entrevistas de seleção, guarde este último aviso: a segunda ou qualquer das entrevistas pode derrubar o candidato, mesmo que ele tenha feito uma boa primeira entrevista. “Pode ser que ele tenha empatia com uma pessoa e não tenha com outra. Então existe mais ainda a necessidade de fazer novas entrevistas para tirar a dúvida”, argumenta Laís Passarelli. E se você ainda acha incômodo participar de processos seletivos com várias etapas, fique atento ao recado de Carla Zeitune: “Sempre temos que respeitar o candidato porque uma pessoa que se oferece para colaborar conosco e que vai fazer a propaganda da empresa. Não é um favor, é uma troca, a mentalidade tem que ser essa. Isso ajuda o candidato a entender um possível atraso de horário, por exemplo, e a necessidade de novas entrevistas. Se o candidato for trabalhar comigo, tem que se apaixonar pela empresa e não já entrar com a visão de que é uma empresa que não respeita seus parceiros".