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O fim do emprego

2 min de leitura

por Wellington Moreira* “Hoje, um terço da força de trabalho mundial - algo em torno de um bilhão de pessoas - está sem emprego, mas não vive em ‘cabanas eletrônicas’, não está no ‘setor de serviços’ nem se dedica, aparentemente, ao ócio criativo. Pelo contrário, o que as estatísticas mostram é que esses milhares de desempregados seguem ligados ao mesmo ‘paradigma do trabalho’, só que agora como trabalhadores precarizados, terceirizados ou subcontratados, com direitos cada vez mais limitados”. O quadro acima, descrito pelo cientista político José Luiz Fiori, diz aquilo que todos sabem mas poucos têm coragem de aceitar: o emprego e as relações de trabalho mudaram. O economista Jeremy Rifkin escreveu o livro "O fim dos empregos" há oito anos e causou uma enorme polêmica ao descrever um cenário tão sombrio para o futuro do trabalho. Dizia ele que a busca cega da redução dos custos de produção promoveria uma eliminação drástica de postos de trabalho nas empresas tradicionais. Isto tornaria os bens e serviços dessas organizações cada vez mais competitivos e lucrativos. Infelizmente, Rifkin acertou. Atualmente o desemprego é uma ameaça real em grande parte do continente europeu e nos países subdesenvolvidos do resto do mundo. Isto pode ser notado no Brasil, pelos números estarrecedores do corte de pessoal na indústria automobilística (270 mil postos) e no setor financeiro (400 mil postos fechados) durante a década passada, segundo cálculos do economista Jorge Luiz Gouvêa, do Dieese - só para citar dois exemplos. Além disso tudo, as rígidas leis trabalhistas são um convite tentador para fortalecer a informalidade, pois o empregador precisa pagar muito caro para contratar alguém. Por exemplo: ao contratar um funcionário que ganhe R$ 1.000,00 mensais, o empregador tem o custo total de R$ 2.000,00, o dobro do salário. Conseqüentemente... O fim da carteira assinada: Carteira assinada é um artigo raro hoje em dia - os novos empregos, quando surgem, já nascem na informalidade. Com isto, mais da metade dos trabalhadores brasileiros estão à margem dos direitos trabalhistas. A reinvenção das profissões: Todas as profissões estão passando por um processo de reinvenção, inclusive a sua. Por conseguinte, algumas praticamente desapareceram (alfaiate, por exemplo), outras estão em processo de desaparecimento (bancário), há uma relação daquelas que morreram e ressuscitaram (torneiro mecânico), enquanto muitas foram reinventadas (datilógrafo, que atualmente é o digitador). Alguns empregos permanecerão: Emprego sempre vai existir, o problema é que a qualificação necessária para se conquistar uma boa colocação já impede e vai continuar a impossibilitar a contratação da maior parte dos trabalhadores brasileiros. Já encontrei inúmeros sites de recrutamento que oferecem salários de R$ 20 mil (isto mesmo!) e as vagas continuam lá, depois de ofertadas há meses... empregado qualificado também é artigo raro! As empresas desejam colaboradores: Quando os profissionais são vistos como colaboradores e estes também entendem seu novo papel, todos ganham. As empresas já compreenderam que precisam de gente criativa, entusiasmada e comprometida com suas atribuições. Por último... Empregador paternal não existe mais. Pare de sonhar com isto! Você é o dono da sua carreira e o responsável por criar as oportunidades. É hora de escolher as empresas onde você irá passar os melhores dias de sua vida, ao invés de apenas aceitar qualquer condição por uma carteira assinada. O mundo está vivendo apenas a era do fim do emprego e não do fim do trabalho. Wellington Moreira é consultor empresarial.