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A maternidade e a carreira no mercado de trabalho

A maternidade e a carreira no mercado de trabalho

57% das entrevistadas disseram já terem sido demitidas ou conhecerem outra mulher que foi demitida após a licença maternidade.

3 min de leitura

Um dos desafios no mercado de trabalho é a diversidade e equidade de gênero dentro das organizações.

Quando se trata do público feminino, as mulheres enfrentam diversos obstáculos e a maternidade no mercado de trabalho é um deles. O que não deveria ser um problema, mas as trabalhadoras ainda sofrem dificuldades para recolocação no mercado e até mesmo preconceito no ambiente corporativo.

Segundo um estudo realizado pela FGV-Rio, metade das mulheres são desligadas cerca de dois anos após a licença maternidade. Embora tenha aumentado o foco sobre a diversidade e equidade de gênero nas empresas, aplicar isso no dia a dia ainda está longe do ideal. O Empregos realizou uma pesquisa com candidatos e recrutadores para entender mais sobre esse cenário.

A realidade da maternidade e mercado de trabalho

O foco da pesquisa teve como objetivo entender a percepção do público feminino sobre os desafios das mães no mercado de trabalho. A pesquisa contou com a resposta de 270 candidatas participantes, veja:

  • 39,6% são da faixa etária de 35 a 44 anos
  • 58,5% possuem ensino médio
  • 67% estão desempregadas
  • 40% já sofreram discriminação na entrevista de emprego ao contar que é mãe
  • 64,1% já precisam faltar no trabalho para cuidar do filho

A realidade de muitas trabalhadoras é que a responsabilidade da criação dos filhos é totalmente da mulher. Por isso, em muitos casos, cabe à mulher se ausentar do trabalho para questões de saúde e educação, por exemplo. Além disso, nestes casos a maioria não conta com uma rede de apoio para dar o suporte necessário.

No entanto, os deveres da maternidade não devem ser vistos como um impasse para a carreira da mulher. Pelo contrário, milhares de mulheres lidam com a dupla ou até mesmo tripla jornada e entregam ótimos resultados. Cabe às empresas terem um olhar mais humanizado para as colaboradoras e analisar cada caso com muita atenção.

Maternidade ainda é vista como tabu nas entrevistas

Trabalho e maternidade em conjunto são duas palavras que ainda são vistas por muitas empresas como um tabu. Além da discriminação sofrida em processos seletivos, muitas mulheres sofrem com o preconceito no dia a dia do seu trabalho.

  • 57% das entrevistadas disseram já terem sido demitidas ou conhecerem outra mulher que foi demitida após a licença maternidade.

De acordo com o Art. 392, da Lei nº 5.452:

“Empregada gestante tem direito à licença-maternidade de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo do emprego e do salário”.

Entretanto, tem se percebido o crescimento de mulheres que são demitidas após o período da licença, em que alguns casos, nem mesmo uma justificativa da demissão recebem.

Outro dado que chama a atenção é sobre a oportunidade de promoção, em que 94,8% responderam que não foram promovidas durante a gestação ou após licença maternidade.

Diversidade e inclusão nas empresas

A participação da mulher no mercado de trabalho tem crescido nos últimos anos. O interesse das empresas em ter uma organização mais diversificada e plural também tem relação com os negócios.

Segundo estudo da Organização McKinsey & Company, as empresas com diversidade de gênero possuem 15% a mais de chances de ter rendimentos acima da média.

Mas trazendo a realidade dentro das organizações, como as empresas acolhem as suas colaboradoras? Afinal, a maternidade é a realidade de muitas mulheres.

  • 25,2% das entrevistadas responderam que já precisaram levar o filho para o trabalho.
  • Em contrapartida, 93% das empresas/recrutadores disseram que a empresa não possui infraestrutura para receber filhos dos funcionários.

Dessa forma, as empresas precisam colocar em seu planejamento como acompanhar e oferecer o suporte necessário para as suas colaboradoras. Alguns exemplos:

  • Ampliar a licença maternidade e paternidade
  • Jornadas flexíveis de trabalho
  • Orientação pós-parto
  • Salas de amamentação
  • Plano de carreira estruturado
  • Suporte financeiro (como auxílio creche)
  • Sala de recreação
  • Entre outros

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Apoio do Governo para mães

Para dar apoio às mães no mercado de trabalho, além do benefício do Bolsa Família, está para ser aprovado pelo Congresso Nacional o auxílio permanente de R$1.200 destinado para as mães solo.

De acordo com o projeto de lei, se aprovado, é preciso atender alguns requisitos para receber o benefício:

  • Ter idade mínima de 18 anos
  • Não ter companheiro ou cônjuge
  • Estar inscrita no Cadastro Único - CadÚnico
  • Ter renda mensal de até 1/2 (meio) salário mínimo por pessoa ou total familiar de três salários mínimos
  • Ter ao menos um filho menor de dezoito anos sob sua responsabilidade
  • Não possuir emprego com carteira de trabalho
  • Não ser beneficiária de programas previdenciários ou assistenciais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
  • Não receber seguro-desemprego
  • Não participar de qualquer programa de transferência de renda federal

Mulheres autônomas, registradas como microempreendedoras individuais e desempregadas também estão dentro da proposta para receber o valor extra.

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